27.10.08

LP


Há dias observava as folhas coloridas sem anotações ou pensamentos a compartilhar comigo mesma. Sentia-me um saco vazio, sem idéias, sem vontades, sem inspiração. Assim lembrei que ela me apresentou as ‘idéias-trens’. Uma maneira engraçada que eu as chamo, mas que a menina colocou de maneira tão delicada e simples que eu gosto.

Sabe, posso parecer um tanto exagerada, mas é como se tivesse encontrado uma alma-gêmea. Não, não é do tipo que a gente vê nos filmes românticos ou nas novelas; não. É alma-gêmea amiga. Pensava ser impossível achar alguém tão parecida comigo, apesar de uns mínimos pesares. Mas eu consegui, e a partir de então venho descobrindo essa coisa de “força cósmica” na qual passei a acreditar.

Tola? Não, eu não diria isso. Diria feliz, por ter achado uma pessoa que faz tanta diferença na minha vida, que agora não me imagino sem. Fica então registrado o meu agradecimento, minha felicidade e admiração, porque não é todo mundo que consegue falar tanta coisa non sense completa e sincronizadamente comigo.



Ps: Não escrevi sobre árvores, músicas, sementes, laços, flores, lugares. Mas o trem passou cosmicamente, compreende?! E mais uma coisa: Olhe a placa!

21.10.08

platônico.


Eu quero ser você.
Eu quero ter você.

Entrar em teu corpo, passar por cada célula dele. Quero ser tua alma, quero ser teus olhos esverdeados, quero ser sua boca na minha.
Ser sua vontade, idéia, desejo, pensamento, objetivo; seu sexo, seu amor.
Quero viver de você, te provar, te afagar, te matar, te engolir. Desmontar-te da maneira mais cruel só pra juntar tuas pecinhas depois.
Amar-te intensamente. Estar no teu carro, na tua cama, te impregnar com meu cheiro. Dizer-te as coisas mais lascivas, te olhar do jeito mais inocente, fazer parte do teu jogo, te moldar do meu jeito. Ser parte, inteiro, metade; ocupar seu espaço, tomar teu tempo e viver a sua vida.
Eu vou me apossar do teu corpo e alma. Minha loucura vai passar dos teus limites e enfim eu vou respirar do teu ar.


E você nunca vai saber.

18.10.08

ineffabile

'...faz de conta que ela não estava chorando por dentro - pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado '

o conjunto.

E no final de tudo eu gosto de você.
Apesar de todas aquelas garotinhas ao seu redor, de todas as promessas feitas e não cumpridas, dos telefonemas não feitos, das conversas inacabadas, da falta de assunto constante, dos desencontros, de você não lembrar tanto de mim quanto eu de você, de você não fazer questão da minha presença, de às vezes passar batido por mim e fingir que não me conhece, dos pouquíssimos abraços tão apertados que você me deu e que fazem a maior falta, dos beijos que você dizia que roubaria, de você ter esquecido tudo isso, de você sempre mentir quando diz que está com saudades (quando eu digo, é porque sinto), das raríssimas vezes que nos vimos e de você nunca me dar a atenção que dava à todas as outras pessoas.
Eu gosto, e muito, mesmo que nada tenha acontecido.
É que a tua lembrança me faz bem.
É a tua lembrança, as formas que aparecem de repente quando fecho os olhos, a imagem embaçada quando me esforço para lembrar. É a tua lembrança, a cada momento inesperado, como se alguém aqui dentro, se minha mente tivesse voz... Chega a ser estranho. Mas são as estranhas sensações, ah, são dessas que eu gosto. É a tua lembrança, aquela constante, a qual já me fez ficar acostumada. Aquela que aguardo chegar, e quando não, engano a mim como se já. Criando o falso esperar. É a tua lembrança, os sonhos que me deixam triste por, pela manhã, não o lembrar. Mas é a tua lembrança, que me faz prazerosamente viver em sonhos. E é a tua presença, ah essa sim, só ela que me faz sorrir ao sentir algo fixo em baixo dos meus pés.


meu e dela, a da alma e da 'cosmicidade'.

14.10.08

os barcos.


" eu vejo você se apaixonando outra vez...

eu fico com a saudade.
você com outro alguém "

19.9.08

alma.




As nuvens começaram a surgir sobre minha cabeça e o céu a escurecer. A ventania dispara, as plantas caem como se fossem gotas de chuva. Os transeuntes vão abrindo seus guarda-chuvas negros se preparando para o temporal que é anunciado por raios e trovões seguidos.
Apressam-se e eu cada vez mais devagar; nada desabaria, nem mesmo o céu, nada atingiria o estado no qual eu me encontrava. Sentei-me num desses banquinhos, observei o mar cada vez mais violento, a água caia de maneira bruta... Tudo ali se passava lentamente pra mim.
O DIA QUE PARECEU NÃO ACABAR. Aquele no qual você partiu, para sempre. Não partiu pra outra cidade ou outro país. Partiu para a outra dimensão: a dos meus sonhos. E só lá você estaria presente.
E eu me pergunto por que isso aconteceu logo agora, que eu mais precisava do teu carinho, do teu calor, da tua presença, do teu afeto? A perda dói. Arrancaram-me de uma vez você como se me arrancassem um órgão vital. Não há mais nada que me preenche. Nem a solidão. Ainda te sinto aqui, em cada lembrança.Você é parte de mim.

E que venha a primeira gota... Depois a tempestade. Que lave minha alma e a carregue pra perto da tua.

18.9.08

thing's i'll never say.




Minhas unhas pretas descascadas, o teu jeito engraçado de observar todos a sua volta e a nossa insegurança.
Existe uma vontade de aproximação quando os olhares se cruzam. Imagino as experiências que trocaríamos, coisas de nossas vidas absolutamente distintas, mas unidas pelo acaso.
Queria eu ter iniciativa, mas como chegar até você? Eu me sinto uma estúpida porque não sei como conversar “pela primeira vez” com as pessoas. Medo? Vergonha? Insegurança. O meu lado otimista me falta estas horas. “Para que fazer isso? Pra quebrar a cara de novo, e ele te achar uma boba?”. Mas e se ele gostar de mim? E se me achasse legal?
“Se... se...”, ah não, é sempre “se...”. Preciso agir mais, parar de perder todas as oportunidades de conhecer pessoas. É só que não seria a primeira vez que me decepcionaria com elas. Pela primeira impressão, eu já sei o que esperar delas; “pré-conceito”. Não, não é frescura.
Queria eu ter coragem de chegar, abrir um sorriso radiante para você cada dia, e sentir que era isso que você queria fazer e não conseguiu também. Que você dissesse algum dia, o quanto foi bom a gente ter se conhecido.
É, eu acho que as minhas unhas vão ficar um pouco mais descascadas. Porque é isso que eu faço quando olho pra você e penso nos meus “se...”. Mas eu pinto de novo. E no dia que elas estiverem conservadas, eu terei parado de estragá-las, porque talvez os olhos se prenderam de vez e deixaram de ser nosso único meio de comunicação.