29.12.11

permanente.

há no meu corpo um cheiro que não é meu.

7.11.11

Decifra.

Meus olhos devem ter dito alguma coisa aos seus nos vários encontros que estes tiveram.

28.9.11

Cigarra réa, avoando desbaratinada por aí, caçando um tronco pra si. Me tirou de árvore: se embrenhou na cabeleira e só cessou o canto quando estávamos as duas banhadas pela água que São Pedro mandou.

14.9.11

Tira esse racional daí, limpa a mente, põe o coração no lugar.
Deixa que o corpo flui e se guia só.

Se torne você.

13.9.11

Ana tem olhos de pressão.
Deixa explodir, nega, deixa inundar corpos e corações.

9.9.11

O Peso da Tua Cadeira Vazia

Depois que você foi embora a única coisa que eu sabia fazer era sentar de frente pra tua cadeira e observar o vazio dela. Quanto pesava o vazio da cadeira. Puxava, quebrava, colocava outro no lugar e ele continuava lá a pesar. Apesar.
Era como se tivesse se apropriado daquela parte do chão, virasse algo como parte dele. Nem ele queria mais que você saísse de lá.
Hoje eu sento no teu vazio, a pesar. O que não melhora nada. Me tornei o vazio.

12.8.11

texto:aliceruizdesenho:leilapugnaloni